quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Tu não me ouves mais, na ilusão de que o silêncio vai me remover dos teus pensamentos.

E eu finalmente descobri que a vida continua sem você, que o meu mundo ainda gira quando você não está por perto.

 
E lá vem você me olhar apaixonado e, no segundo seguinte, frio. E me falar para eu não sofrer e para eu ir embora e para eu não esperar nada e para eu não desistir de você. E eu me digo que não é você. Porque, se fosse, meu sono seria paz e não vontade de morrer. Me despeço, já sem aquela dor aterrorizante, das partes de você que mais amo. Ainda que eu nem te ame mesmo. E me despeço das partes da sua casa que eu mais amo. Ainda que nada disso seja amor. E entro no carro já sem chorar. Os últimos três anos chorando por você serviram ao menos para me secar por dentro. Preciso me aliviar. Mas dou até risada porque acabaram os caminhos. O mundo não suporta mais esse meu não amor por você. Meus amigos espalmam a mão na minha cara e já vão logo adiantando que se eu pronunciar seu nome, eles vão embora sem nem olhar para trás. Remédios só me deixam com um bocejo químico e a boca do estômago triste, mas não tiram você do meu coração

Meus sentimentos de esvaem em solidão. Como se fosse posssível se sentir tão sozinho assim.  Já faz tanto tempo que a minha saudade é sua, que não existe outro lugar que eu possa ficar. Como é difícil sentir saudade. E por mais distante que esteja eu ainda sinto sua presença aqui. Nada se compara ao fato de sentir seu coração explodindo, se desmanchando em mil pedaços. Eu não consigo mais entender o que se passa dentro dele. Só preciso mantê-lo sob controle. Não sei mais se vale a pena sentir. É como se essa dor nunca fosse ter fim. Eu sinto como se isso nunca fosse acabar. Desisti de esperar.
Ei, seu tonto, será que você não pode me olhar com olhos de devoção porque eu estou aqui quase esmagada com sua presença? Não, não dá pra dizer isso. Será que você pode me abraçar como se estivéssemos caindo de uma ponte porque eu estou aqui sem chão com sua presença? Não, você não pode dizer isso. Será que você pode me beijar como um beijo de final de filme porque eu estou aqui sem saliva, sem ar, sem vida com a sua presença? Definitivamente, não, melhor não. Amor não se pede, é uma pena. É triste amar tanto e tanto amor não ter proveito. Tanto amor querendo fazer alguém feliz. Mas amor, você sabe, amor não se pede. Amor se declara: sabe de uma coisa? Ele sabe, ele sabe.

Mas então o que é a verdade, se não tudo aquilo em que acreditamos com todas as nossas forças, até o fatídico momento em que não cremos mais? As verdades mudam, e as tuas o fazem numa velocidade que acredito que ninguém seja capaz de acompanhar. Justamente, por medo disso, tratei de despir meus sentimentos de poesia. No entanto, as nossas situações, mesmo nuas de significado, mesmo ceticamente analisadas com a frieza de um cirurgião, teimavam em rabiscar sorrisos na minha cara. Sorrisos que não saíam em água corrente. Mesmo assim, tenho vivido ao pé da letra o ‘dia-após-o-outro’, jamais adornando os dias com os meus costumeiros exageros que conheço bem. É difícil manter os pés no chão enquanto a mente voa.



Tô exausto de construir e demolir fantasias. Não quero me encantar com ninguém.
(Caio F. Abreu)


Sou pessoa de dentro pra fora. Minha beleza está na minha essência e no meu caráter. Acredito em sonhos, não em utopia. Mas quando sonho, sonho alto. Estou aqui é pra viver, cair, aprender, levantar e seguir em frente. Sou isso hoje. Amanhã, já me reinventei. Reinvento-me sempre que a vida pede um pouco mais de mim. Sou complexa, sou mistura, sou mulher com cara de menina e vice-versa. Me perco, me procuro e me acho. E quando necessário, enlouqueço e deixo rolar. Não me dôo pela metade, não sou tua meio amiga nem teu quase amor. Ou sou tudo ou sou nada. Não suporto meio termos. Sou boba, mas não sou burra. Ingênua, mas não santa. Sou pessoa de riso fácil, e choro também.

Hoje eu parei por algumas horas, do meu dia que sempre é corrido para poder observar um pouco mais, as coisas que giram ao meu redor, pra conseguir entender porque tudo está tão mudado, tão incomum. Mas olho para todos os lados e não encontro, exatamente nada, de tão grande impacto que tenha feito as coisas ficarem, estranhas para mim. É monótono.
De certa forma, não faz muita diferença, até porque não machuca e nem alegra, mas estabiliza. Porque será que isso acontece? As pessoas mudaram... agem como se eu não existisse, não criticam, mas também não apoiam. Ruim mesmo é se sentir sozinho, mesmo pra mim que adoro momentos a sós comigo mesmo, até mesmo eu gostando mais é de um chá e um bom livro. Solidão não é ruim. Se sentir sozinho, em meio a tanta estranheza é.

E mesmo refletindo por horas, ainda não consigo entender. Logo eu que sempre tirei boas notas em interpretações de textos, não interpreto nada em relação a mim mesmo. Não sei nem mesmo o que não consigo entender. É confuso, e é chato pra caralho. Mas eu nem ligo. E eu acho que é esse o problema. Comodidade. Acho que já tô mais que acostumado com as coisas não mudarem nunca. Por isso não dói, não incomoda, não muda. Eu já não sonho mais. Minha ilha da Utopia estava fechada pra balanço, e nem lembro o motivo pra isso.

Desilusão não mata, deixa em coma. Mas uma hora a gente acorda com uma vontade de se iludir de novo, e sair dessa monotomia. Talvez eu tenha acordado desse coma mesmo com essa exaustão existencial ascendente, é quase meia-noite e está na hora de ir dormir. Voltar a sonhar. Se iludir. 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
William Shakespeare